Por Isadora Satie
Atrás da nossa casa antiga, montou sua fábrica, a Miyoshi Móveis. Cada móvel depois de pronto tinha aquele cheirinho de novo, de verniz, e de amor. Quando era pequena, imaginava que minha casa só teria móveis feitos por ele.
10 anos atrás, ou mais, lembro que ele havia fabricado aos montes um porta-cartão com o objetivo de divulgar seu trabalho. Quando minha mãe saía de casa, levava alguns na bolsa e fazia o marketing em tudo quanto era lugar. Isso durou um bom tempo.
Dias atrás, fui até o centro da cidade a procura de uma blusa pra minha mãe. Depois de andar pra caramba, encontro a blusa perfeita. Quando chego no caixa, me deparo com um porta-cartão chamativo, e não é que era um daqueles?! Ainda novinho, simples e bonito como meu pai havia feito com as próprias mãos.
Em questão de segundos, o clima corrido e estressante de sexta-feira desapareceu de dentro de mim. E deu lugar à saudade. Mas também, à uma imensa gratidão. Por coincidência ou não, o nome da loja é Arigatô.
Depois que saí de lá, fui incapaz de conter o choro. A cada dia, entendo e aceito que é uma falta que palavras não descrevem.
Acho que o lado bom de ter tido um pai que pra mim era um artista apaixonado, é que volta e meia encontro um pedacinho da arte dele por aí. E isso faz com que ele esteja sempre por perto.
Obrigada, pai.



