sábado, 15 de julho de 2017

A minha São Paulo de 6 dias

Por Isadora Satie


Os prédios saltam aos olhos de quem chega pela primeira vez. Eles arranham o céu. E são repletos de quadradinhos. Durante a noite, eu os observava e ficava pensando em quantas histórias cada quadradinho acomoda, em quantos sonhos cabem dentro de cada um.

Na rua, posei de turista. Olho que se arregalava, brilhava e admirava. Caminhada que, de tão lenta, quase parava. Mas era só a minha. O ritmo é como dizem: correria! Tem gente que sai de casa e vira velocista, desvia das pessoas como se fossem obstáculos e, com maestria, ultrapassa a linha de chegada que fica na porta do metrô. Ufa!

Gente acelerada, apressada, e sempre ligada. Lembre-se de deixar a esquerda livre e não dar mole com o celular, viu?

Um dia me disseram que a cidade é cinza. É cinza, sim. Mas só das nuvens. De perto, ela é cheia das cores. As paredes de lá são papel pra poesia, são espaço pra desabafo, são como tela pros artistas mais ousados. Ela tem som de buzina, conversa, sirene e andança. Ela fica quieta, mas nunca em silêncio.

Como o próprio tempo, ela não para!

Tem gente normal, gente louca, gente mais louca ainda. Tem gente que faz da calçada a própria cama, da rua o próprio lar. Tem gente que te vê, e logo te encara. Tem gente que te vê, e timidamente sorri. Tem gente que te vê, mas não te vê.

Mas isso na minha cidade também tem, aos montes.

É uma terra de contrastes. Mescla de etnia, sotaque, classe e estilo. Tem branco, tem preto, tem amarelo. Tem misturado, tipo assim, como eu. Eu não falei que a cidade é colorida? Pois bem, ela é!

É correria, loucura, o caos! Cidade tão maluca que de algum jeito deixou meu coração em paz. Vai entender! É sempre bom estar em casa, voltar pra cidade que chamo de minha. Mas é maravilhoso partir pro que não se conhece.

Porque o desconhecido também merece o nosso olhar, o nosso visitar e, quem sabe, até o nosso ficar.

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