domingo, 9 de abril de 2017

9 (ansiosos) meses

Por Isadora Satie

Uma azeitona verde. Um figo. Um limão. Uma vagem de ervilhas. Uma maçã. Uma pêra. Um pedaço de gengibre. Um pimentão verde. Uma banana. Uma cenoura. Uma manga. Uma espiga de milho. Uma cebolinha verde. Uma couve-flor. Um repolho roxo. Uma abóbora. Um abacaxi. Um melão. Até uma melancia!

Aos desavisados, meu aviso: bebê não é só bebê. Ele também é semente, legume, verdura e fruta. Mais uma coisa: Grávidas só falam em semanas. Você que se vire com os cálculos!

Hoje, tenho em meu coração duas certezas: ser mulher é um privilégio divino. E a gestação é uma das criações mais belas de Deus. Ainda não vivenciei. Mas Deus me deu uma amiga que me fez enxergar essa época da vida de forma muito mais sublime. Às vezes eu quase não acredito que existe uma pessoinha dentro dela. Uma menina ainda tão frágil, tão dependente, tão pequena, tão linda e tão perfeita.

Um dia minha amiga me disse, muito ansiosa, que queria que a gestação chegasse logo ao fim. É que 9 meses é tempo pra caramba, né? Mas parando pra pensar, 9 meses é pouquíssimo tempo. Porque passa voando! Nesse pouco tempo, formam-se os bracinhos, as perninhas, os dedinhos, os pezinhos, as mãozinhas. Um ser humano inteiro, com tudo no diminutivo.

Dona Vera, minha mãe, costuma dizer que o mexer do bebê é a certeza de que outro ser depende exclusivamente de você. Parece até que ele testa você com os chutes insistentes, pra sentir sua reação e ouvir sua voz.

Filho é realmente o milagre da vida, creio eu. É o ser, é o existir, é o laço, é o elo. É a mais bonita extensão de você. Segundo minha mãe, toda mulher tem em si mesma uma mãe. Que toda mulher já nasce mãe. É algo da natureza. Para ela, inconscientemente aprendemos a ser mães com nossas próprias mães.

Sem manual de instruções. Sem tutorial de YouTube. Sem curso técnico. Sem faculdade. Porque o que nos torna aptas a desempenhar tal função, é o amor.

Então eu espero que minha amiga não se preocupe. Ela será uma mãe incrível. E o orgulho que sinto dela, transborda. Enquanto isso, a gente aguarda ansiosamente a chegada dessa pessoinha. Enquanto isso minha amiga se afunda em desejos como o de sacolé e o de fandangos. Enquanto isso, a gente se prepara pra amar muito e mimar também.

Enquanto isso, Deus com toda a Sua sabedoria, cuidado e infinito amor, prepara a Luiza para o mundo, e esse mundo para a Luiza.

Texto dedicado a minha grande e amada amiga, Juliana Querino.