É triste como me soa clichê falar ou escrever sobre tudo isso. Minha tarde estava tranquila até eu tomar um choque diante da imagem que mostra os comentários racistas direcionados à jornalista Maria Júlia Coutinho, do Jornal Nacional. Eu tive a coragem de ler cada comentário, pedindo a Deus que aquelas palavras cruéis não fossem verídicas.
Para a decepção dos que se apropriam do bom senso, ao que tudo indica, a ignorância daquelas pessoas – se é que posso classifica-las assim – é real. Juro que tentei, mas não foi possível engolir o choro e conter as lágrimas. Minha raiva transbordou, enquanto eu mostrava a notícia para minha mãe. Ela leu rapidamente alguns dos absurdos, apenas soltou um ou dois palavrões e voltou ao que estava fazendo.
Ela me pareceu fria e indiferente naquele momento. Mas não se trata disso. Ela simplesmente é mais forte do que eu. E não é à toa. Há 57 anos ela vive nesse mesmo país que se afunda em injustiças que me recuso a citar, sendo enfermeira, mulher e negra – no hospital onde ela trabalha, ainda não encontrei as outras enfermeiras negras que ela diz que existem.
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“Eles serão presos”, ela tenta me confortar. Mas isso não me conforta, mãe. A punição atrás das grades pode até mudar condutas, mas será que muda pensamentos? É essa dúvida que constantemente martela na minha cabeça.
- A senhora acha que isso um dia vai acabar? – perguntei.
- O racismo? Não, filha.
Eu já sabia da resposta, mas a convicção dela me assusta.
Convenhamos, se um dia os preconceitos nesse país cessarem, eu e você nem estaremos mais aqui nesse mundo. A mídia diz que esse povo racista é minoria. Mas que minoria insistente, não?
Não sei o que sinto por essas pessoas. Raiva? Pena? Talvez os dois misturados. Sei que esses sentimentos logo passam. Mas e essa nossa realidade tão suja e desumana, passa?
- O racismo? Não, filha.
Eu já sabia da resposta, mas a convicção dela me assusta.
Convenhamos, se um dia os preconceitos nesse país cessarem, eu e você nem estaremos mais aqui nesse mundo. A mídia diz que esse povo racista é minoria. Mas que minoria insistente, não?
Não sei o que sinto por essas pessoas. Raiva? Pena? Talvez os dois misturados. Sei que esses sentimentos logo passam. Mas e essa nossa realidade tão suja e desumana, passa?

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