Por Isadora Satie
Talvez qualquer ser humano, um dia, já tenha olhado fixamente para o céu, esperando uma resposta divina e imediata escrita nas nuvens. Talvez qualquer ser humano tenha, um dia, lutado contra a imprevisibilidade da vida, mas tenha perdido a batalha. Talvez qualquer ser humano, um dia, tenha sofrido ao perceber que o controle das coisas não está em mãos humanas.
Tudo é incerto.
Mas há algo na incerteza que me excita e me enfurece ao mesmo tempo. Não poder ler os capítulos da própria história é maravilhoso, apesar de cruel.
As interrogações que se alastram pela mente parecem corroer o cérebro. Aquelas destetáveis crises existenciais quase nos convencem da necessidade de uma camisa de força. Pensar por que as coisas são como são, enlouquece. Quem sabe, a solução seja aceitar que a vida é como uma corda que fica a cada dia mais bamba e para não cair, é preciso balançar junto.
A vida é sacana. Parece até fazer piada com a nossa cara. Tira sarro de propósito, para o momento em que afirmarmos que nada mais vale a pena, ela, engraçadíssima, surpreende de alguma forma e deixa nossa opinião do avesso.
Ela é uma desequilibrada. Faz você rir até a barriga doer, chorar até seus olhos arderem. É calmaria e inquietação. Dor e felicidade. Silêncio e ruído. Constantemente inconstante. Altos e baixos, altos e baixos, o tempo todo. E é tudo tão súbito, que chega a assustar. Ela dá pequenos choques em você, para que nada pareça cômodo demais. Para que você não apenas exista, mas viva. Por isso, o imprevisível tem sua beleza.
De todo esse devaneio, eu percebo que a dúvida é o que nos faz querer continuar até o fim, mesmo que aos trancos e barrancos, só para ver no que tudo isso vai dar.
Ela constrói e destrói muitas das nossas convicções. Ela nos faz metamorfose. Ela é a dona das oscilações. A incerteza é uma certeza que carrego comigo. Mas, quem sabe, seja mais uma convicção efêmera. Talvez eu esteja profundamente enganada e questione minha própria certeza em algum dia desses e escreva sobre como a vida é ridiculamente previsível, em algum texto desses.

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