domingo, 15 de junho de 2014

A arte de procrastinar

Foto: Isadora Satie
Bendito ócio. Bendita preguiça. Bendito descanso! Já passei por momentos em que me sentia dentro de uma insana rebeldia como se infringisse alguma lei da pior forma possível apenas pelo fato de estar no sofá. Com os pés para cima, olhos quase fechando e o pensamento solto, livre. Livre da rotina. Livre das preocupações cotidianas.

Tenho pra mim que quanto mais se corre, mais se sente a vontade, quem sabe a necessidade de, subitamente, pisar no freio com toda a força. O mundo é um caos extremamente capaz de te escravizar, enlouquecer e alienar. Você, a cada dia, sente o gostinho amargo do que é ser um adulto ambicioso em uma sociedade repleta de sistemas, regras e padrões.

Os medos vão muito além daquele causado por um suposto monstro que costumava se esconder no escuro, debaixo da sua cama, todas as noites. O relógio nunca para e possui o incrível poder de fazer você permanecer em movimento constante, pois você precisa correr atrás daqueles pedaços de papel que segundo é dito por aí não trazem felicidade.

Também dizem que tempo é dinheiro, não é? Sim, dizem coisas demais... Porém, seu futuro pode parecer assustadoramente incerto e, às vezes, você sequer faz ideia do que quer para o dia seguinte, que dirá para os próximos anos. E aí, o que me convém perguntar é: por que você corre tanto se, na verdade, não sabe para onde está indo? É, existem dias em que você parece encontrar a si mesmo.

E também dias em que você se perde no meio do caminho, eu sei. É normal. Por isso é preciso parar. Obviamente que em momentos como esse, o mundo continuará seus ininterruptos movimentos rotacionais, enquanto o relógio fica tiquetaqueando em seu ouvido. Mas ainda digo que é preciso parar. Talvez para você se lembrar dos reais motivos que te fazem levantar da cama todos os dias. 

Talvez para que você mantenha os chamados sonhos tão vivos a ponto de se converterem em combustível para as duras 24 horas. Talvez para que você devaneie sobre essa loucura toda que é a vida e seus desafios. Quem sabe, é para que você simplesmente encontre uma justificativa que convença a qualquer um de que sua energia não é gasta em vão. Ou, nada disso! Pode até ser uma mera desculpa daquelas bem esfarrapadas para aquela sua velha preguiça que você faz questão de não desapegar, só porque é bom ficar sem fazer nada. Sem toda essa filosofia reflexiva e só porque é bom procrastinar, praticar o "nadismo" ou seja lá o que for, mas só porque é bom...

Por Isadora Satie

Nenhum comentário:

Postar um comentário