O importante é estar ciente de que se tal pessoa age, fala ou se veste de uma determinada forma, é porque ela certamente tem um motivo para isso. Penso que cada um guarda consigo uma história capaz de justificar cada atitude. Ninguém é o que é, porque simplesmente se quis assim, do nada. Talvez aquele colega de turma que você julga antissocial, tenha grandes problemas com timidez desde a infância. Talvez aquela pessoa chata do seu trabalho que tira proveito de qualquer situação para chamar atenção, nunca tenha recebido a devida atenção dos próprios pais, e por aí vai. O fato é você não faz ideia das batalhas que o outro enfrenta.
Em vez de perder tempo questionando a diferença, que se perca tempo lutando contra essa tendência humana – por mais humana que seja – de querer que os outros sejam um espelho nosso. Com as mesmas preferências, pontos de vista, objetivos e seja lá mais o que for. Nunca passa pela sua cabeça que pode existir gente por aí se perguntando por que você é assim? Questionando cada escolha e atitude sua? É, tem gente por aí fazendo com você exatamente o que você costuma fazer com os outros.
Sim, julgar todo mundo acaba julgando, mesmo que isento de más intenções. Sei que, por vezes, é um ato inconsciente, mas é válido ter como lembrete de que sempre há uma razão para alguém ser o que se é. Uma pequena dose de bom senso todos os dias já é suficiente para que percebamos que cada um possui e vive a sua própria realidade. E você, nada tem a ver com isso. Não sei quanto à você, mas prefiro cumprir meu dever de respeitar o que não conheço por completo a contestar pelo direito de julgar.
Por Isadora Satie

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