Já que todos se sentem no direito de fazer uma breve retrospectiva do ano passado, em tempo faço a minha.
Ano passado, conversava com dois amigos meus e de repente os vejo com celulares em frente às caras e os dedos frenéticos no touchscreen. Numa brincadeira, falei algo sobre estarem viciados em Internet. "Calma, eu tenho uma vida!", foi o que um deles me respondeu e o outro acabou concordando. Escrevo sobre isso, pois foi algo que realmente marcou meu ano, talvez tenha sido a partir desse dia que comecei a abrir os olhos para o que realmente estava a minha volta e adivinhe só o que acabei vendo: pessoas diariamente hipnotizadas pelas telas de seus smartphones.
Bem, a esses meus dois amigos e à boa parte da humanidade, eu desejo mais vida em 2015. Vida real. Tanta vida que se esqueçam de olhar seus celulares com frequência. Desejo a eles, um 2015 tão bonito quanto às fotos e vídeos dos fogos postados por eles aqui nesta rede social.
Espero que nesse ano as pessoas olhem mais nos olhos umas das outras e estejam mais atentas aos acontecimentos de suas próprias vidas em vez de passar horas vigiando vidas alheias. Espero que autoestima nenhuma seja proporcional à quantidade de elogios em selfies ou pela quantidade de likes em posts poluídos por hashtags, e também que a quantidade de seguidores se torne algo completamente desprezível. Espero, de coração, que as comidas um dia voltem a desempenhar sua real função que, com certeza, não é a de posar para o instagram.
Que a partir desse ano, momentos voltem a ter mais relevância que os registros fotográficos deles feitos.
Que declarações de amor possam ser feitas pessoalmente, ao pé do ouvido, com poucas palavras, olhares apaixonados e a sós. Sem todo aquele texto longo e chato, acompanhado de uma fotografia e de toda a exposição. Pois esse é o tipo de coisa que tem muito mais beleza e verdade, quando é feito de uma forma simples, não?
Espero que as pessoas não se desesperem mais ao ver os últimos e míseros 10% de bateria em seus aparelhos, que a presença de Wifi seja apenas um detalhe que quase não faça diferença, que a necessidade de estar 24 horas conectado simplesmente acabe ou, ao menos, diminua.
Desejo que possamos utilizar nosso tempo vivendo nossas vidas reais, abandonando de leve nossas vidas virtuais. Sem esse vício cotidiano que nos impede de sentir na pele e no coração o quê e quem está verdadeiramente ao nosso redor. É isso o que desejo para mim e para você.
Que seja realmente novo esse nosso 2015.

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